Acidente da Voepass: ex-diretor abriu nova empresa de serviços aéreos em Ribeirão Preto, SP
Eric Cônsoli, indiciado pela PF no inquérito da queda do voo 2283 da Voepass Reprodução/Linkedin Um dos 16 indiciados pela Polícia Federal pelo desastre a...
Eric Cônsoli, indiciado pela PF no inquérito da queda do voo 2283 da Voepass Reprodução/Linkedin Um dos 16 indiciados pela Polícia Federal pelo desastre aéreo que matou 62 pessoas em Vinhedo (SP), o ex-diretor de manutenção da Voepass, Eric Cônsoli, é um dos sócios de uma empresa de serviços aeronáuticos em Ribeirão Preto (SP) aberta cerca de um ano depois do acidente. Segundo registros da Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp), a empresa foi criada em julho de 2025. A companhia oferece atividades auxiliares de transportes aéreos executivos como estacionamento e abastecimento de aeronaves, importação de peças sob encomenda, manutenção e seguro aeronáutico, mas não opera voos. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp Nova série do globoplay, 'Voepass 2283' traz reconstituição imersiva do voo e relatos Questionada sobre a relevância dessa nova empresa para o caso, a Polícia Federal esclareceu que os fatos investigados eram restritos ao sinistro aeronáutico. Além de Eric Cônsoli, ao menos mais duas pessoas continuaram a atuar no setor aéreo depois da tragédia em 2024. Antigo hangar da Voepass em Ribeirão Preto (SP), onde hoje funcionava nova empresa pertencente a ex-diretor da companhia. Sergio Oliveira/EPTV O engenheiro mecânico aeronáutico Tiago Passucci Morani, que era o inspetor-chefe da companhia e responsável por assinar liberações técnicas, hoje atua como gerente de planejamento e aeronavegabilidade em uma empresa que presta serviços para outras companhias aéreas. Oderlino de Campos Figueiredo, que atuava como despachante operacional de voo na Voepass até abril de 2025, trabalha hoje na mesma função em uma empresa de transporte aéreo de cargas com sede em Campinas (SP). Todos os indiciados pela Polícia Federal prestaram depoimento e não são considerados foragidos pela Justiça. No entanto, por determinação judicial, eles estão impedidos de deixar o Brasil e seus nomes foram inseridos nos sistemas de controle de imigração para evitar saídas não autorizadas. Segundo apuração da reportagem, ao menos um dos investigados está temporariamente no exterior, mas se comprometeu com as autoridades a retornar ao país para prestar esclarecimentos. "Sempre que eu intimei apareceram aqui", disse o chefe da Polícia Federal em Campinas (SP), André Ribeiro. O delegado explicou que a decretação de prisões preventivas não foi necessária no momento porque as medidas cautelares estão sendo cumpridas. "O sistema de imigração está bloqueado, eles não conseguem sair", pontuou Ribeiro. Indiciados pelo acidente com voo da Voepass Reprodução LEIA TAMBÉM José Luiz Felício Filho: quem é o dono da Voepass indiciado por desastre aéreo que matou 62 pessoas Acidente da Voepass: PF indicia 16 funcionários e ex-funcionários pela queda que matou 62 O que diz a Voepass após Polícia Federal indiciar funcionários por queda de avião que matou 62 pessoas em SP PF afirma que os 16 indiciados pela queda do avião da Voepass atentaram contra a segurança do transporte aéreo Jornal Nacional/ Reprodução O g1 procurou a RP Aviation para questionar se há outros ex-funcionários da Voepass na companhia e se a empresa tem intenção de obter certificação para operar voos, mas não obteve um posicionamento até a última atualização desta notícia. Também não conseguiu contato com advogados de defesa dos nomes citados nesta reportagem. O desastre aéreo e a conclusão do inquérito O desastre com o voo 2283 ocorreu em 9 de agosto de 2024, quando a aeronave ATR 72-500 caiu em um condomínio em Vinhedo (SP), resultando na morte de todos os 58 passageiros e 4 tripulantes. As investigações da Polícia Federal e do Cenipa concluíram que o acidente foi consequência de uma sucessão de fatores meteorológicos, falhas técnicas e conduta operacional insuficiente da equipe. A PF identificou uma "cultura de não reporte" na empresa, onde falhas críticas, especialmente no sistema de degelo, eram omitidas dos registros oficiais para evitar a retenção de aeronaves em solo. Ao final de quase dois anos de investigação, a Polícia Federal indiciou 16 profissionais, incluindo o presidente da companhia, diretores, gerentes, mecânicos e despachantes operacionais. Eles respondem pelo crime de atentado contra a segurança do transporte aéreo, com penas agravadas pelo resultado morte. 🔎 O atentado contra a segurança do transporte aéreo é previsto no artigo 261 do Código Penal. O crime ocorre quando alguém expõe a perigo uma aeronave ou dificulta, ou impede a navegação aérea. A pena prevista é de 2 a 5 anos de prisão. Se do fato resulta a queda ou destruição da aeronave, a pena passa para 4 a 12 anos. Se houver morte, a pena pode ser aplicada em dobro. Em depoimento, o próprio José Luiz Felício Filho reconheceu que a aeronave não deveria estar naquela condição, mas também não deveria ter sido despachada. Com dívidas superiores a R$ 400 milhões, a Voepass teve seu Certificado de Operador Aéreo (COA) cassado definitivamente pela Anac em junho de 2025. Arte mostra quem são os 16 indiciados pela Polícia Federal após queda do voo 2283 em Vinhedo (SP). Arte/g1 Próximos passos da investigação Com a entrega do relatório final, o caso está sob análise do Ministério Público Federal, que decidirá sobre o oferecimento da denúncia à Justiça. Além das responsabilidades criminais, a Polícia Federal apresentou representações administrativas junto à Anac, solicitando a suspensão do CANAC - a identificação do profissional da aviação junto à Anac - dos indiciados até desfecho da ação penal. A medida visa impedir que os envolvidos continuem exercendo atividades na aviação civil devido ao risco demonstrado à segurança operacional. A PF também solicitou que o MPF apure a responsabilidade de integrantes da própria Anac por uma possível atuação insuficiente ou omissiva. De acordo com a investigação, inspetores da agência tinham conhecimento de problemas crônicos no sistema de degelo da aeronave acidentada meses antes da queda e não suspenderam as operações. Uma cópia integral dos autos foi encaminhada à Procuradoria da República no Distrito Federal para investigar eventuais crimes de prevaricação ou improbidade administrativa por parte do órgão regulador. Polícia Federal apresenta conclusão da investigação sobre queda de avião da Voepass em Vinhedo, SP Gabriella Ramos/g1 Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão Preto e Franca